Economia

SLC Agrícola aposta em blindagem técnica contra El Niño 2025

SLC Agrícola aposta em blindagem técnica contra El Niño 2025
Foto: moneytimes.com.br

O BTG Pactual cortou as projeções para a safra 2026/27 da SLC Agrícola (SLCE3). O motivo: El Niño volta ao radar meteorológico.

Mas o CEO da companhia tem outra narrativa. Afirma que a empresa está "muito mais preparada" do que estava em 2016, quando o fenômeno climático devastou lavouras no Centro-Oeste.

O que mudou desde 2016

A comparação não é gratuita. Há nove anos, o El Niño causou prejuízos bilionários ao agronegócio brasileiro. A SLC Agrícola sofreu perdas significativas de produtividade.

Agora, a empresa alega ter reforçado três frentes: diversificação geográfica de fazendas, tecnologia de irrigação e variedades de sementes mais resistentes ao estresse hídrico.

O relatório do BTG, divulgado nesta segunda (20), incorporou um cenário de maior risco climático. As estimativas foram ajustadas para baixo, embora o banco mantenha recomendação neutra para o papel.

Contexto político e econômico

O timing é delicado. 2025 marca um ano pré-eleitoral no Brasil, com debates sobre reforma política e ajustes fiscais dominando Brasília.

O agronegócio, espinha dorsal das exportações brasileiras, opera sob pressão dupla: clima imprevisível e instabilidade regulatória.

Historicamente, safras ruins em anos eleitorais amplificam tensões entre governo e ruralistas. A memória de 2016 ainda assombra o setor — não apenas pelas perdas agrícolas, mas pelo impeachment que ocorreu simultaneamente.

Quem ganha e quem perde

Se o El Niño se confirmar com intensidade, produtores menos capitalizados enfrentarão dificuldades maiores. Grandes players como a SLC, com capacidade de investimento em tecnologia, tendem a sofrer menos.

O BTG destacou que a redução nas projeções foi "ligeira". Sinal de que o mercado ainda opera com cautela, não com pânico.

Para investidores, o recado é claro: resiliência virou ativo precificável. Empresas que investiram em adaptação climática ganham vantagem competitiva.

O precedente de 2016

Naquele ano, o El Niño devastou a safra de soja no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A SLC Agrícola viu sua produtividade despencar em fazendas-chave.

O episódio forçou uma reformulação estratégica. A empresa ampliou presença em regiões menos vulneráveis e dobrou investimentos em irrigação.

Agora, testa-se a eficácia dessa blindagem. O mercado observa com atenção.

Variáveis além do clima

Mas El Niño não é a única variável no radar. A guerra comercial entre China e Estados Unidos afeta preços de commodities. O real desvalorizado beneficia exportadores, mas encarece insumos importados.

Soma-se a isso a pressão por agenda ambiental na Europa, principal destino de produtos agrícolas brasileiros após China.

A SLC precisa navegar esse labirinto mantendo margens e atraindo capital.

Sinais do mercado

Apesar do ajuste do BTG, o papel SLCE3 não despencou. Investidores parecem comprar a tese de resiliência vendida pela gestão.

O verdadeiro teste virá entre novembro e fevereiro, janela crítica para confirmação do El Niño e seu impacto real nas lavouras.

Até lá, o setor opera com expectativa administrada — e muita reza para que as previsões meteorológicas estejam erradas.