Economia

Gigante suíço reorganiza comando de R$ 2,3 bi no leite brasileiro

Gigante suíço reorganiza comando de R$ 2,3 bi no leite brasileiro
Foto: globorural.globo.com

O grupo suíço Emmi acaba de redesenhar o tabuleiro de poder em sua principal operação latino-americana. A Laticínios Porto Alegre (LPA), com receita projetada de R$ 2,3 bilhões para 2026, troca de comando executivo em movimento que sinaliza nova fase de expansão.

João Lúcio Carneiro, fundador que construiu o império mineiro do leite a partir de Ponte Nova, entrega a presidência executiva. Mantém 30% das ações e a cadeira de conselho — o clássico movimento de quem consolida patrimônio sem perder controle estratégico.

A transição calculada

Carlos Mafia assume o comando operacional. Dezesseis anos de casa. Dois anos como vice-presidente e diretor de operações. A sucessão não vem de fora — vem de dentro, testada, mapeada.

Paulo Martins salta de gerente de finanças para diretor. Outro movimento interno. Outro sinal: a casa está sendo arrumada para crescimento, não para venda.

O plano até 2030

A estratégia tem três pilares. Ampliação de portfólio — mais produtos derivados de leite. Expansão geográfica — o Sudeste como alvo prioritário. E aquisições não descartadas para acelerar o ritmo.

Crescimento em dois dígitos por ano até 2030. A meta é pública. O desafio é conhecido: competir num mercado onde a concentração avança, margens apertam e o produtor rural enfrenta volatilidade de custos.

O contexto competitivo

A LPA opera num setor onde gigantes internacionais disputam gôndola com cooperativas regionais centenárias. A presença do capital suíço — o Emmi Group detém controle majoritário — garante músculo financeiro. Mas não garante mercado.

O Brasil concentra produção leiteira em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A Porto Alegre, apesar do nome, tem DNA mineiro. Ponte Nova é epicentro. A expansão para o Sudeste significa, na prática, adensar presença em São Paulo e Rio de Janeiro — onde o consumo é alto e a competição, feroz.

Aquisições no radar não são retórica. O setor passou por onda de consolidação na última década. Quem tem caixa compra. Quem não tem, vende ou quebra.

O que está em jogo

A troca de guarda executiva em empresa familiar controlada por estrangeiro revela tensão clássica: manter cultura fundadora enquanto se submete a metas de retorno suíças.

Carneiro sai da operação diária, mas permanece no conselho. É o arranjo possível entre o empreendedor que construiu e o investidor que financiou a escala. Um fica com a visão de longo prazo. Outro, com a execução trimestral.

Para o mercado lácteo brasileiro, o recado é direto: a Porto Alegre não vai desacelerar. Ao contrário. Vai crescer, comprar ou ser comprada — mas não vai estagnar.

Os próximos quatro anos dirão se a meta de dois dígitos ao ano é ambição factível ou promessa de prospecto. O comando está refeito. O caixa, disponível. O mercado, avisado.