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Co-CEO na Smartbrain: o modelo que redesenha poder no Brasil

Co-CEO na Smartbrain: o modelo que redesenha poder no Brasil
Foto: startups.com.br

A Smartbrain acaba de anunciar Ricardo Pacheco como co-CEO. Mais uma fintech brasileira adota o modelo de liderança dividida — e isso diz muito sobre o momento político que atravessamos.

A decisão não é apenas corporativa. Reflete uma tendência de diluição de poder que ecoa transformações mais amplas na governança brasileira, justamente quando a crise democracia brasil se aprofunda e exige novas formas de distribuição de autoridade.

O Contexto da Mudança

Pacheco assumirá com foco em Open Finance, APIs e inteligência artificial. Áreas técnicas, sem dúvida. Mas a escolha de dividir o comando revela mais do que estratégia de negócios.

Historicamente, empresas brasileiras seguiram o modelo do líder único. O CEO soberano. Decisões verticais. Poder concentrado. Isso mudou.

Desde 2016, quando a polarização política se intensificou no país, o setor privado observou atento: concentração de poder gera fragilidade. A crise democracia brasil ensinou que checks and balances não são apenas conceitos políticos — são ferramentas de sobrevivência institucional.

Por Que Isso Importa Agora

O modelo de co-CEO se espalha pelo ecossistema de startups brasileiro justamente quando instituições democráticas enfrentam sua maior pressão em décadas.

A correlação não é acidental. Empresários aprenderam com a instabilidade política: estruturas de comando compartilhado distribuem risco e legitimam decisões.

Na Smartbrain, a medida surge em momento de expansão. Open Finance, o sistema que democratiza dados bancários, depende de múltiplas aprovações regulatórias. APIs exigem negociações com dezenas de players. IA demanda governança ética rigorosa.

Um CEO único dificilmente daria conta. Dois compartilham não apenas tarefas, mas responsabilidade política pelas escolhas.

O Precedente Político

A decisão ecoa práticas de governos de coalizão — arranjo que o Brasil conhece bem desde a redemocratização.

Assim como presidentes precisaram dividir ministérios para governar, fintechs agora dividem CEOs para crescer. A lógica é semelhante: legitimidade através da pluralidade.

O paralelo com a crise democracia brasil é direto. Quando a confiança em lideranças únicas enfraquece, estruturas colegiadas ganham apelo. No governo, no Judiciário, e agora no setor privado.

Quem Contra Quem

A tensão aqui não é entre pessoas, mas entre modelos. CEO único versus co-CEOs. Comando vertical versus horizontal. Decisão rápida versus consenso deliberado.

A Smartbrain escolheu seu lado. Assim como Stone, Nubank e outras que já experimentaram lideranças compartilhadas ou conselhos executivos ampliados.

Do outro lado, o modelo tradicional ainda domina bancos estabelecidos e grandes corporações — justamente as instituições que mais perderam credibilidade na última década.

O Que Vem Pela Frente

A nomeação de Pacheco testa uma hipótese: poder compartilhado é mais resiliente em ambientes instáveis.

Se funcionar, veremos mais empresas adotarem estruturas similares. Se falhar, o discurso da eficiência voltará a favorecer comandos únicos.

Mas o momento político sugere que não há volta. A crise democracia brasil forçou todos os setores a repensarem concentração de poder. Fintechs, por operarem no limite entre tecnologia e regulação, sentem isso antes.

Ricardo Pacheco assume não apenas uma posição executiva. Assume um experimento institucional sobre como liderar em tempos de desconfiança sistêmica.

O resultado importa para muito além da Smartbrain.