Política

Lula perde maioria: polarização define geopolítica Brasil 2026

Lula perde maioria: polarização define geopolítica Brasil 2026
Foto: Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atravessou a linha vermelha. Pela primeira vez no terceiro mandato, a desaprovação superou a aprovação de forma clara: 50% contra 46%, segundo levantamento da Real Time Big Data divulgado nesta semana.

Os números não mentem. E carregam um significado político que transcende a simples fotografia do momento.

A anatomia da rejeição

A pesquisa revela uma polarização cristalizada. Do lado positivo, 17% consideram o governo ótimo. Do negativo, 24% classificam como péssimo. Entre esses extremos, uma massa de eleitores indecisos ou moderadamente insatisfeitos define o termômetro da governabilidade.

Para quem acompanha a trajetória petista desde 2003, o dado não surpreende pela existência da oposição — ela sempre existiu. Surpreende pela cronologia: estamos a dois anos e meio das eleições de 2026, e a base de sustentação política já apresenta fissuras estruturais.

Precedentes históricos importam

Dilma Rousseff, em 2013, enfrentou números semelhantes após as jornadas de junho. Nunca se recuperou completamente. A aprovação despencou de 57% para 30% em questão de meses, inaugurando o ciclo que culminaria no impeachment de 2016.

Lula não é Dilma. Sua capacidade de articulação política é reconhecida até pelos adversários. Mas os paralelos existem: desgaste econômico, percepção de corrupção, inflação corroendo o poder de compra, promessas não cumpridas.

A diferença crucial está no contexto internacional. Em 2013, o Brasil surfava a última onda do boom das commodities. Hoje, enfrenta um cenário geopolítico fragmentado, com guerra comercial entre Estados Unidos e China, realinhamentos no Sul Global, e pressão sobre economias emergentes.

Geopolítica doméstica em 2026

Esses 50% de desaprovação redesenham o mapa eleitoral brasileiro. A centro-direita, fragmentada desde o desgaste bolsonarista, encontra combustível para reagrupar forças. Governadores como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior ganham margem de manobra.

O PT enfrenta um dilema estratégico: radicalizar o discurso para mobilizar a base ou moderar para reconquistar o centro? A primeira opção consolida 30% do eleitorado. A segunda arrisca a desmobilização dos militantes históricos.

Enquanto isso, o mercado financeiro observa. A desaprovação presidencial impacta diretamente a capacidade de aprovar reformas no Congresso. Sem capital político, Lula depende cada vez mais de negociações casuísticas com o Centrão — o que aumenta o custo fiscal e político de cada votação.

O fator internacional

A geopolítica Brasil 2026 não se resume ao debate interno. A posição brasileira nos BRICS, a relação ambígua com o regime venezuelano, a tentativa de mediar conflitos globais — tudo isso alimenta narrativas domésticas.

Críticos apontam protagonismo retórico sem resultados práticos. Apoiadores defendem a recuperação da relevância internacional perdida no governo anterior. O eleitor mediano, aquele que decide eleições, permanece mais preocupado com o preço do gás de cozinha.

Números que falam

Cinquenta por cento de desaprovação não decretam o fim de um governo. Mas estabelecem um teto eleitoral perigoso. Para vencer em primeiro turno nas próximas eleições — seja Lula ou um candidato petista — seriam necessários ao menos 45% dos votos válidos. Com metade do país declaradamente contrária, a matemática se complica.

A história política brasileira desde a redemocratização mostra: presidentes que começam o terceiro ano de mandato com desaprovação majoritária raramente conseguem eleger sucessores. FHC em 2002 é a exceção que confirma a regra — e mesmo assim perdeu para Lula.

O jogo está aberto

Faltam 30 meses para as urnas. Uma eternidade na política brasileira, onde governos sobem e descem nas pesquisas com velocidade desconcertante. Mas os fundamentos importam: economia fraca, percepção de insegurança, desilusão com promessas de campanha.

A geopolítica Brasil 2026 começa a se desenhar agora, nesses números de aprovação e rejeição que definem margens de manobra, alianças possíveis, narrativas viáveis. Lula sabe jogar esse jogo. A questão é se ainda tem as cartas necessárias para vencer a partida.

O relógio está correndo. E metade do Brasil já decidiu que não gosta do que vê.