Política

Embratur abre seleção às vésperas de 2026: sinal do jogo eleitoral

Embratur abre seleção às vésperas de 2026: sinal do jogo eleitoral
Foto: Metrópoles

A Embratur encerra nesta quarta-feira (22) as inscrições para formação de cadastro reserva. Salários chegam a R$ 9,1 mil. O timing não é acidental.

Estamos a menos de dois anos das eleições de 2026. E agências federais como a Embratur funcionam como peças no tabuleiro do xadrez eleitoral brasileiro.

O que está em jogo

A seleção oferece vagas para níveis médio e superior. Cadastro reserva significa controle futuro sobre nomeações. Quem ocupa Brasília em 2025 define quem será chamado em 2026.

A Embratur, vinculada ao Ministério do Turismo, gere a imagem do Brasil no exterior. Controla narrativas. Distribui recursos para eventos internacionais. Articula com estados e municípios.

Em ano eleitoral, essa estrutura vira ativo político.

O precedente histórico

Não é novidade. Cadastros reserva em agências federais sempre foram instrumentos de barganha. O padrão se repete desde a redemocratização.

Em 2014, às vésperas da reeleição de Dilma, houve expansão similar em órgãos federais. Em 2018, Temer fez o mesmo antes de deixar o Planalto. Agora, 2025 prepara 2026.

A diferença está no contexto. O turismo brasileiro vive momento crítico de reconstrução pós-pandemia. A Embratur deveria focar em recuperação setorial. Mas a máquina administrativa obedece a calendários eleitorais, não técnicos.

Quem ganha, quem perde

Candidatos aprovados entram numa fila de espera. Serão chamados conforme conveniência política. Estados governados por aliados do Planalto tendem a receber mais atenção da agência.

O setor privado de turismo perde. Recursos que poderiam ir para promoção internacional financiam estrutura administrativa. O Brasil segue vendendo mal sua imagem lá fora enquanto infla quadros internamente.

A geopolítica brasil 2026 se desenha agora. Cada nomeação futura representará aliança selada hoje. Cada cargo, um compromisso eleitoral.

O significado mais amplo

Esta seleção da Embratur é sintoma, não doença. Revela como opera o Estado brasileiro: capturado por ciclos eleitorais, refém de lógicas partidárias.

Enquanto isso, competidores internacionais profissionalizam gestão turística. México e Colômbia investem em marketing agressivo. O Brasil monta cadastros reserva.

O relógio eleitoral já começou a contar. E a máquina pública se prepara não para servir o país, mas para servir à próxima campanha.

As inscrições terminam hoje. O jogo de 2026 apenas começa.