Política

Convenções definem 2026: como funciona a escolha real no presidencialismo de coalizão

Convenções definem 2026: como funciona a escolha real no presidencialismo de coalizão
Foto: G1

A partir desta segunda-feira (20), começam as convenções partidárias que vão desenhar o mapa da disputa eleitoral de 2026. Não se trata apenas de escolher nomes. O que acontece nos próximos dias define a arquitetura política dos próximos quatro anos.

No presidencialismo de coalizão brasileiro, essas reuniões são o momento em que o poder real é distribuído — antes mesmo do voto.

O que está em jogo nas convenções

As convenções reúnem filiados de partidos e federações para duas decisões centrais: quem será candidato a cada cargo e quais alianças serão formadas. Presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais — todos os nomes precisam passar por esse crivo.

"O candidato, para que obtenha o deferimento do seu registro de candidatura, deverá, necessariamente, ter sido escolhido em convenção", explica Guilherme Barcelos, especialista em Direito Eleitoral e sócio do Barcelos Alarcon Advogados.

É nesse momento que pré-candidatos se tornam candidatos oficiais. Mais importante: é quando o jogo de cadeiras começa.

Presidencialismo de coalizão: o sistema por trás das cortinas

O Brasil não elege apenas um presidente. Elege um presidente que precisa governar com dezenas de partidos no Congresso. Essa é a essência do presidencialismo de coalizão — sistema que domina a política brasileira desde a redemocratização.

As convenções são o primeiro passo dessa engenharia. Partidos negociam apoios. Trocam candidaturas em estados por suporte nacional. Distribuem palanques regionais em nome de alianças federais.

A matemática é simples: quem controla mais partidos na base tem mais governabilidade. Quem não negocia bem nas convenções enfrenta quatro anos de paralisia.

O calendário que estrutura o poder

Os partidos têm até 5 de agosto para realizar suas convenções. Nesse intervalo de 16 dias, serão definidas as coligações que moldarão a disputa presidencial e os embates nos 26 estados mais o Distrito Federal.

Depois das convenções, candidatos têm até 15 de agosto para registrar suas candidaturas na Justiça Eleitoral. Só então as campanhas oficiais começam — em 16 de agosto.

Mas a campanha real começa nas convenções. É ali que se define quem terá estrutura partidária, tempo de TV, recursos de campanha e, principalmente, palanques estaduais.

Coligações: a moeda de troca do sistema

No Brasil, partidos podem se unir em coligações para disputar eleições. Na prática, significa que legendas pequenas emprestam sua estrutura e tempo de propaganda a candidatos de partidos maiores — em troca de cargos, influência e verbas públicas.

O sistema foi parcialmente reformado. Desde 2020, coligações só valem para eleições proporcionais (deputados e vereadores) em nível estadual e municipal. Para presidente e governador, partidos podem fazer alianças, mas cada legenda mantém sua identidade.

Mesmo assim, a lógica da barganha permanece. Estados-chave como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro funcionam como moeda de troca nas negociações nacionais.

O que esperar de 2026

As convenções deste ano acontecem em contexto polarizado. De um lado, a base governista buscando ampliar alianças. De outro, oposições tentando construir frentes amplas.

O centro político — aquele espaço ocupado por partidos médios sem definição ideológica clara — será disputado palmo a palmo. São essas legendas que garantem maioria no Congresso e viabilidade de governar.

Nos próximos 16 dias, será possível ler nas entrelinhas das convenções qual será a configuração do poder brasileiro até 2030. Não pelos discursos. Mas pelos acordos fechados em salas fechadas.

É assim que funciona o presidencialismo de coalizão: democrático nas urnas, negociado nos bastidores.