Política

Atropelamento grave expõe fragilidade urbana no DF

Atropelamento grave expõe fragilidade urbana no DF
Foto: Metrópoles

Um pedestre foi atropelado na noite desta segunda-feira (20/7) em frente ao Park Shopping, na SPO. O traumatismo craniano foi grave. O Corpo de Bombeiros socorreu a vítima em estado crítico.

O acidente expõe um problema estrutural: a capital federal não tem política coordenada de mobilidade urbana. Falta coalizão entre os poderes.

O contexto político da omissão

Desde 2019, projetos de segurança viária tramitam sem avanço no Congresso. A razão é simples. Não há coalizão presidencial forte o suficiente para aprovar investimentos em infraestrutura urbana.

O governo Lula propôs em março um pacote de mobilidade segura. Previa R$ 2,3 bilhões para sinalização e travessias protegidas. O texto está parado na Câmara por falta de articulação política.

A ausência de coalizão presidencial sólida impede que temas técnicos avancem. Mobilidade urbana vira moeda de troca. Pedestres pagam o preço.

Precedente histórico

O Brasil registrou 32.716 mortes no trânsito em 2022, segundo o Ministério da Saúde. Pedestres representam 18% das vítimas fatais.

O Distrito Federal tem taxa de 5,2 mortes por 100 mil habitantes. Acima da média nacional de 4,8.

A SPO, onde ocorreu o atropelamento, concentra 12% dos acidentes graves da capital. Não há faixa elevada nem semáforo exclusivo para pedestres no trecho.

Quem contra quem

De um lado, técnicos do Detran e do Ministério das Cidades. Eles defendem padrões internacionais de segurança viária.

Do outro, bancadas setoriais no Congresso. Resistem a qualquer medida que limite velocidade ou obrigue investimento em infraestrutura.

No meio, a ausência de coalizão presidencial capaz de arbitrar o conflito. O resultado são vias mortais e projetos engavetados.

O significado político

Este atropelamento não é caso isolado. É sintoma de falência na articulação entre Executivo e Legislativo.

Governos sem coalizão presidencial forte não implementam políticas públicas. Mesmo as mais básicas. Como proteger quem atravessa a rua.

A vítima desta segunda-feira paga pela fragmentação política de Brasília. Uma capital que não consegue aprovar lei para sua própria segurança.

Enquanto isso, a SPO segue sem travessia protegida. O próximo atropelamento é questão de tempo.