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Amazon liquida jogos Xbox: o mercado que a reforma política ignora

Amazon liquida jogos Xbox: o mercado que a reforma política ignora
Foto: olhardigital.com.br

A Amazon Brasil colocou em promoção três títulos para Xbox esta semana. Halo Infinite, jogos LEGO e títulos de zumbis estão com descontos significativos. Mas o que isso revela sobre um mercado que movimenta US$ 200 bilhões globalmente e permanece invisível para a reforma política brasileira?

A indústria de games no Brasil faturou R$ 10,4 bilhões em 2025. É mais que o cinema nacional. Mais que a música. Emprega 13 mil pessoas diretamente. Mas não aparece em nenhum dos 47 projetos de reforma política em tramitação no Congresso.

O vácuo regulatório

Enquanto políticos debatem cotas partidárias e financiamento de campanha, um setor inteiro opera em zona cinzenta tributária. Importação de consoles paga até 72% de impostos. Desenvolvimento nacional recebe zero incentivo fiscal específico. A contradição é gritante: o Brasil é o terceiro maior mercado de games da América Latina, mas trata o setor como hobby.

As ofertas da Amazon expõem essa distorção. Halo Infinite, produzido pela Microsoft com orçamento superior a US$ 500 milhões, chega ao consumidor brasileiro com preço 340% maior que nos Estados Unidos. A diferença? Carga tributária que nenhuma reforma política ousa tocar.

Quem perde com a omissão

A ausência do setor de games na agenda de reforma política brasileira beneficia um grupo: importadores e grandes plataformas internacionais. Prejudica outro: desenvolvedores nacionais e consumidores.

Estúdios brasileiros como Aquiris, Behold Studios e Hoplon competem globalmente. Exportam jogos para 40 países. Mas enfrentam burocracia do século passado. Enquanto Coreia do Sul e Canadá oferecem subsídios diretos para desenvolvimento, o Brasil mantém alíquotas de importação herdadas da era industrial.

O caso é emblemático do descompasso entre reforma política e economia digital. Deputados discutem regras para partidos criados na redemocratização. Ignoram setores nascidos neste século.

O precedente internacional

Outros países já entenderam. A China incluiu games em seu 14º Plano Quinquenal como setor estratégico. A Polônia criou incentivos fiscais que tornaram CD Projekt Red, criadora de The Witcher, uma potência global. O Brasil? Continua debatendo se voto impresso é prioridade.

As promoções de Xbox na Amazon são sintoma, não causa. Revelam um mercado vibrante que cresce apesar do Estado, não por causa dele. Cada desconto é uma oportunidade perdida de arrecadação inteligente. Cada título importado é um emprego que poderia existir aqui.

A reforma que não vem

A reforma política brasileira está travada desde 2023. Quarenta e sete projetos competem no Congresso. Nenhum menciona economia digital. Nenhum trata de tributação para o setor de tecnologia. É como reformar um carro trocando apenas o retrovisor.

Para o consumidor que compra Halo em promoção, pouco importa. Ele quer entretenimento. Mas para os 13 mil profissionais do setor, para os desenvolvedores que poderiam criar o próximo sucesso global, a omissão custa caro.

A Amazon continuará oferecendo promoções. Os jogadores continuarão comprando. E a reforma política brasileira continuará discutindo o século XX enquanto o XXI acontece nas telas.

"Não se reforma o sistema político ignorando onde a economia real acontece. Games são o futuro. Nossa política ainda vive no passado."

As ofertas terminam em 72 horas. A janela para incluir economia digital na reforma política se fecha há anos.