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Coalizão presidencial ignora cultura digital no Brasil

Coalizão presidencial ignora cultura digital no Brasil
Foto: tecmundo.com.br

O mercado global de games faturou US$ 184 bilhões em 2023. No Brasil, a indústria movimenta R$ 11 bilhões anuais. Mas a coalizão presidencial não debate o tema.

Esta semana chegam ao mercado títulos como Marvel Tokon: Fighting Souls e Beast of Reincarnation. São produtos de uma cadeia econômica que emprega milhões globalmente. Aqui, permanece invisível ao radar político.

O vazio estratégico da coalizão presidencial

A ausência de políticas públicas para o setor de games revela um padrão. A coalizão presidencial atual, assim como as anteriores, trata cultura digital como entretenimento menor.

Não há ministério dedicado. Não há incentivos fiscais comparáveis aos do cinema. Não há sequer debate estruturado sobre formação de mão de obra especializada.

Enquanto isso, Coreia do Sul e Canadá construíram indústrias bilionárias com apoio estatal direto. A China transformou games em soft power geopolítico. O Brasil assiste.

Quem perde com a inação

A conta é simples: desenvolvedores brasileiros migram para estúdios estrangeiros. Propriedade intelectual escapa. Empregos qualificados somem.

O setor emprega 13 mil profissionais diretos no país. Poderia empregar dez vezes mais com marco regulatório adequado e linhas de crédito específicas.

Jovens entre 18 e 34 anos representam 68% dos jogadores brasileiros. São 100 milhões de consumidores ativos. Uma base demográfica que movimenta economia real, mas não políticas públicas.

O precedente da Lei Rouanet dos Games

Em 2019, tramitou no Congresso proposta de lei inspirada na Rouanet para games. Morreu em comissão. Nenhum partido da coalizão presidencial atual a ressuscitou.

O modelo funcionou para cinema e audiovisual por três décadas. Gerou retorno econômico mensurável. Mas games permanecem fora do guarda-chuva da economia criativa institucionalizada.

A inércia atravessa governos. Não é questão ideológica. É desconhecimento institucional do que move a cultura digital contemporânea.

Marvel, China e disputa por narrativas

Marvel Tokon: Fighting Souls chega desenvolvido por estúdio chinês. A franquia americana, propriedade intelectual bilionária, agora produz conteúdo em parceria com Pequim.

É geopolítica cultural em ação. Enquanto potências disputam controle de narrativas através de produtos digitais, o Brasil fica à margem.

A coalizão presidencial brasileira não percebe que soft power hoje se constrói também em servidores de jogos online, não apenas em embaixadas e acordos comerciais tradicionais.

O que falta

Três medidas mudariam o cenário: incentivo fiscal específico para desenvolvimento de jogos nacionais, linhas de crédito em bancos públicos e formação técnica em universidades federais.

Nada disso está em discussão. A agenda da coalizão presidencial em 2025 segue centrada em pautas do século 20: infraestrutura física, commodities, serviços básicos.

Não há nada errado com essas prioridades. Mas a ausência total de visão sobre economia digital expõe anacronismo perigoso.

Games não são futuro. São presente. Movimentam mais dinheiro que cinema e música somados. Empregam, educam, conectam.

Enquanto a coalizão presidencial ignora, outros países constroem vantagens competitivas irreversíveis. O custo dessa inação será cobrado em empregos perdidos e talento desperdiçado.

Marvel Tokon: Fighting Souls e Beast of Reincarnation chegarão às telas brasileiras esta semana. Nenhum deles foi feito aqui. Nenhum debate político sério questiona por quê.