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Virginia e Vini Jr na mesma clínica expõem elite estética brasileira

Virginia e Vini Jr na mesma clínica expõem elite estética brasileira
Foto: revistaquem.globo.com

Virginia Fonseca, 27 anos, e Vini Jr cruzaram caminhos no consultório do dermatologista Alessandro Alarcão na mesma semana. Não por acaso. O fenômeno revela a formação de uma elite estética brasileira tão concentrada quanto o nosso sistema partidário.

A influenciadora realizou o procedimento XERF — radiofrequência monopolar de dupla frequência para estímulo de colágeno — após a repercussão da transformação facial do jogador. Ambos recorreram ao mesmo profissional. Ambos geraram impacto nas redes. Ambos pertencem a um círculo fechado de validação social.

A geografia do prestígio

O Brasil tem 38 mil dermatologistas registrados. Virginia e Vini Jr escolheram o mesmo. Esta concentração não é acidental. É estrutural.

Funciona como o sistema partidário brasileiro: poucos nomes capturam a maior parte dos recursos simbólicos. Alarcão se tornou o equivalente estético de um cacique político — centraliza indicações, mobiliza atenção midiática, converte procedimentos em eventos públicos.

Virginia fez questão de documentar o processo. O médico publicou nas redes. A revista especializada repercutiu. O ciclo se fecha: celebridade valida profissional, profissional valida celebridade, mídia valida ambos.

Tecnologia sem agulhas, hierarquia com muros

O XERF promete resultados sem tempo de recuperação. Tecnologia de ponta. Acesso restrito. A promessa democrática da inovação esbarra na realidade oligárquica da distribuição.

Segundo Alarcão, o procedimento estimula intensamente a produção de colágeno e combate a flacidez. Mas quem tem acesso? A mesma fatia que frequenta camarotes VIP, jantares de gala, bastidores de premiações.

É o velho Brasil das antessalas. Só que agora com radiofrequência monopolar.

O que isso significa

A formação de uma elite estética espelha a lógica do nosso sistema partidário: concentração de recursos, baixa renovação, barreiras de entrada intransponíveis para outsiders.

Virginia Fonseca construiu império digital. Vini Jr é patrimônio do futebol global. Ambos poderiam escolher qualquer profissional do planeta. Escolheram o mesmo brasileiro. Por quê? Porque prestígio se valida em circuito fechado.

Não basta resultado técnico. É preciso o selo do grupo. A validação dos pares. O reconhecimento da tribo.

"Hoje tivemos o prazer de receber a Virginia para realizar o XERF", escreveu Alarcão. O prazer é mútuo. E excludente.

Precedente histórico

Não é fenômeno novo. Costureiros de primeira-dama. Cabeleireiros de estrelas da TV Globo. Arquitetos de magnatas paulistas. O Brasil sempre organizou sua elite em círculos concêntricos de validação mútua.

O que mudou foi a plataforma. Antes, o prestígio circulava em revistas impressas e colunas sociais. Hoje se dissemina por stories do Instagram e matérias online. Mas a lógica permanece: poucos nomes, muito poder simbólico.

Virginia e Vini Jr são produtos e produtores desse sistema. Alimentam a máquina que os distingue da massa.

Sistema partidário e sistema estético

A analogia não é forçada. Nosso sistema partidário concentra recursos em poucas legendas grandes. Nosso sistema estético concentra atenção em poucos profissionais celebrizados.

Em ambos os casos: alta barreira de entrada, baixa competição real, perpetuação de oligopólios.

Virginia tem 50 milhões de seguidores. Vini Jr é ídolo global. Juntos, poderiam democratizar acesso a informação sobre procedimentos estéticos. Preferem sacralizar o acesso a um nome específico.

É a escolha da elite de sempre: não basta ter. É preciso que outros não tenham.

O XERF pode ser inovador. Mas a estrutura que o cerca é arcaica. E reconhecível. É o Brasil das grandes famílias, agora com filtro de Instagram.