River Plate afunda em crise e expõe fragilidade da coalizão presidencial
Quatro derrotas seguidas. Um investimento de 28,92 milhões de euros em contratações que não se traduziu em resultados. E agora, o silêncio constrangedor do vestiário do Monumental de Núñez após mais uma derrota — desta vez por 1 a 0 para o Rosario Central, com gol contra de Otamendi.
O River Plate vive sua pior sequência em anos, e a crise vai além dos gramados. Eduardo Coudet, ídolo como jogador nos anos 2000, hoje enfrenta o teste mais duro de sua gestão técnica. A pressão não vem apenas da torcida ou da imprensa portenha. Vem de dentro.
A coalizão presidencial sob pressão
No futebol argentino, clubes como River e Boca não têm donos — têm presidentes eleitos e coalizões políticas internas. Jorge Brito, atual mandatário do River, construiu sua gestão sobre uma promessa: trazer títulos e reforços de peso. A iminente contratação de Thiago Almada, jovem argentino que disputa com o Flamengo, seria a cereja do bolo.
Mas coalizões presidenciais se sustentam em resultados. E resultados, o River não tem.
A sequência negativa após a Copa do Mundo expõe fissuras no projeto esportivo. Coudet foi escolha pessoal de Brito, que apostou no técnico revelado no Rosario Central e com passagens vitoriosas por Atlético-MG e Internacional. A aposta, até aqui, não se pagou.
O paradoxo do investimento sem retorno
O River despejou quase 29 milhões de euros no mercado. Contratou nomes de impacto. Prometeu competir em todas as frentes — Libertadores, campeonato argentino, Copa Argentina.
Em campo, a realidade é outra. A equipe não consegue manter a bola, sofre gols evitáveis e desperdiça chances claras. A derrota para o Rosario Central, time que Coudet comandou com maestria, tem sabor amargo de ironia.
Borré e Lautaro Pereyra, dois dos reforços mais caros, não encontraram ritmo. A defesa, mesmo com Otamendi — campeão mundial pela Argentina — vacila em momentos cruciais.
Precedente histórico: quando ídolos caem
A história do futebol argentino está repleta de técnicos-ídolos que não sobreviveram à cadeira quente. Passionaretti, Merlo, o próprio Gallardo em momentos de turbulência — todos enfrentaram o dilema entre amor da torcida e exigência por resultados.
Coudet não é exceção. Ser ídolo garante tempo extra, mas não imunidade. A coalizão que o sustenta começa a calcular custos políticos. Sócios influentes questionam. Conselheiros cochicham nos corredores.
O precedente é claro: no River, paciência tem prazo de validade.
O que está em jogo
Para Coudet, a próxima sequência de jogos definirá seu futuro. Três ou quatro jogos sem vitória e a pressão se tornará insustentável.
Para Brito e sua coalizão presidencial, o risco é maior. Uma troca de técnico em fevereiro — apenas meses após contratá-lo — seria admissão pública de erro estratégico. Munição farta para opositores internos que já miram as próximas eleições do clube.
Para a torcida, a frustração é imediata. O River investiu como grande, mas joga como mediano.
Almada como salva-vidas?
A possível chegada de Thiago Almada pode aliviar temporariamente a pressão. Reforço de peso, jovem, argentino, disputado com gigante brasileiro — a narrativa é perfeita para acalmar ânimos.
Mas contratações não substituem resultados. Almada pode chegar a um vestiário fraturado, a um técnico sem crédito e a uma coalizão presidencial em modo de sobrevivência.
O River Plate está à beira de uma definição. Não apenas esportiva, mas política. Coalizões presidenciais em clubes argentinos são tão voláteis quanto os resultados em campo.
E no Monumental de Núñez, os resultados estão cada vez mais escassos.