Esportes

Mbappé faz história e expõe crise do sistema partidário Brasil

Mbappé faz história e expõe crise do sistema partidário Brasil
Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

Kylian Mbappé acaba de conquistar algo que nenhum jogador conseguiu em 56 anos: terminar duas Copas do Mundo consecutivas como artilheiro. Dez gols em 2026, oito em 2022. A França não levou o título, mas seu camisa 10 consolidou uma hegemonia individual que contrasta brutalmente com a fragmentação institucional que paralisa o sistema partidário Brasil.

O Precedente Histórico

Desde 1970, quando Gerd Müller liderou a artilharia na Alemanha, nenhum atleta havia repetido o feito em edições seguidas. Mbappé quebrou a marca justamente quando o futebol global atravessa sua maior transformação financeira — clubes-estado, ligas privadas, concentração de talentos.

Lionel Messi, aos 39 anos, disputou sua última final. Passou em branco na derrota por 1 a 0 para a Espanha, em Nova Jersey. Terminou com oito gols, dois a menos que o francês. A Argentina caiu, mas o argentino provou que longevidade e consistência ainda importam num esporte cada vez mais dominado por ciclos curtos.

Sistema Partidário Brasil: A Fragmentação Como Norma

O contraste é evidente. Enquanto Mbappé centraliza a narrativa esportiva francesa, o sistema partidário Brasil opera com 29 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Nenhuma delas consegue estabilizar maioria parlamentar. Nenhuma concentra poder decisório comparável ao que o atacante exerce em campo.

A reforma eleitoral de 2017 tentou reduzir essa pulverização. Fracassou. A cláusula de barreira eliminou apenas siglas nanicas sem representação real. As médias e grandes seguem negociando cadeira por cadeira, voto por voto, sem projeto coletivo.

Quem Contra Quem

Mbappé versus a história do futebol. Sistema partidário Brasil versus sua própria incapacidade de reforma.

No esporte, a meritocracia ainda funciona. Dez gols em sete jogos garantem o título de artilheiro, independentemente de negociações nos bastidores. Na política brasileira, 29 partidos garantem que nenhuma decisão saia sem loteamento de cargos, emendas parlamentares e acordos que evaporam na eleição seguinte.

O Significado para o Eleitor Brasileiro

A conquista individual de Mbappé expõe uma questão estrutural: instituições fortes produzem lideranças fortes. A seleção francesa não venceu a Copa, mas mantém um sistema de formação de atletas que entrega talentos mundiais a cada ciclo. Clairefontaine, o centro nacional de treinamento, funciona há 35 anos com investimento público constante.

O sistema partidário Brasil, ao contrário, opera na lógica da sobrevivência imediata. Partidos nascem para garantir tempo de televisão. Outros existem apenas para negociar apoio ao Executivo. Poucos têm programa claro. Menos ainda conseguem implementá-lo.

Contexto Histórico e Precedente

A última vez que um artilheiro de Copa teve impacto político direto foi em 1970. Pelé e a seleção brasileira venceram no México durante o regime militar. O governo usou o tricampeonato como propaganda. "Ninguém segura este país", dizia o slogan oficial.

Mbappé, em 2026, conquista sua marca individual sem servir a projeto autoritário. Mas também sem que a França consiga converter talento esportivo em coesão política. O país vive fragmentação parlamentar parecida com a brasileira, embora menos extrema.

O Que Vem Depois

Mbappé tem 27 anos. Pode disputar mais duas Copas. O sistema partidário Brasil tem 35 anos desde a Constituição de 1988. Pode continuar fragmentado por mais três décadas se não houver reforma profunda.

A Espanha bicampeã, enquanto isso, demonstra que renovação geracional funciona quando há estratégia de longo prazo. A mesma Espanha que venceu em 2010 agora forma jogadores como Lamine Yamal, de 18 anos, autor do gol do título.

No Brasil, a renovação política esbarra em legendas centenárias que bloqueiam candidaturas jovens. Esbarra em caciques regionais que controlam diretórios. Esbarra em financiamento eleitoral que favorece quem já está dentro.

Mbappé provou que hegemonia individual é possível mesmo sem título coletivo. O sistema partidário Brasil prova, há décadas, que fragmentação institucional é compatível com crescimento econômico — mas incompatível com transformação estrutural.

A Copa acabou. O francês volta para seu clube com mais um recorde. O eleitor brasileiro volta para casa com as mesmas 29 opções de sempre.