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Bariátrica aos 18: jornalista da Globo perde dentes e revela sequelas

Bariátrica aos 18: jornalista da Globo perde dentes e revela sequelas
Foto: revistaquem.globo.com

Uma jornalista da Globo com 43 anos decidiu romper o silêncio sobre um tema que as redes sociais preferem esconder: as sequelas graves da cirurgia bariátrica. Luiza Zveiter perdeu dentes. Enfrentou anemia severa. Sofreu deficiência vitamínica crônica e complicações intestinais.

O relato chega em momento crítico. Enquanto influenciadores vendem a bariátrica como solução mágica, a repórter expõe a face oculta de uma decisão tomada aos 18 anos, quando pesava 136 quilos.

O preço da transformação

A operação funcionou no curto prazo. Zveiter emagreceu 66 quilos, chegando aos 70 quilos com 1,70m de altura. Mas o corpo cobrou o preço.

A perda dentária veio como consequência direta das deficiências nutricionais. A cirurgia reduz drasticamente a capacidade de absorção de cálcio, vitamina D e outros minerais essenciais. Os dentes foram o sinal visível de um colapso interno.

"A cirurgia não é fácil", afirmou Zveiter em entrevista à revista Quem. A declaração contrasta com o marketing agressivo que domina as redes sociais, onde antes e depois triunfantes omitem o que vem depois do depois.

O despreparo emocional

Zveiter admite que não estava psicologicamente preparada para a operação. Aos 18 anos, poucos estão. A formação da identidade ainda está em curso. O corpo muda, mas a cabeça permanece.

Anos após atingir o peso mínimo, já como apresentadora da Globo, Zveiter voltou aos 89 quilos. O efeito sanfona atinge entre 20% e 30% dos pacientes bariátricos, segundo estudos médicos.

A jornalista menciona "uma situação" não revelada que mudou sua mentalidade sobre o próprio corpo. O silêncio intriga. Sugere que há camadas adicionais de sofrimento ainda não expostas publicamente.

O contexto da epidemia bariátrica

O Brasil é o segundo país do mundo em cirurgias bariátricas, atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2024, foram realizadas mais de 100 mil operações.

O perfil do paciente mudou. Há duas décadas, a bariátrica era recurso extremo para obesidade mórbida. Hoje, virou atalho estético para quem busca padrões corporais impossíveis.

As redes sociais amplificam a distorção. Celebridades e influenciadores exibem corpos esculpidos, atribuindo o resultado exclusivamente à cirurgia. Omitem os procedimentos complementares, as restrições permanentes, as suplementações vitalícias.

As sequelas invisíveis

A perda dentária de Zveiter não é caso isolado. Estudos apontam que pacientes bariátricos apresentam risco 40% maior de problemas periodontais graves.

A anemia severa afeta até 50% dos operados nos primeiros cinco anos. A deficiência de vitamina B12 pode causar danos neurológicos irreversíveis. A osteoporose precoce é outra consequência frequente.

As complicações intestinais variam de síndrome de dumping a obstruções que exigem novas cirurgias. O índice de reoperação chega a 25% em alguns centros cirúrgicos.

O precedente do testemunho

O relato de Zveiter representa uma guinada narrativa importante. Jornalistas com visibilidade começam a questionar o discurso triunfalista que domina o debate público sobre bariátrica.

O timing é significativo. Em 2025, a Anvisa endureceu as regras para indicação cirúrgica em menores de 21 anos, exigindo avaliação psicológica mais rigorosa e acompanhamento multidisciplinar obrigatório.

A decisão veio após relatórios indicando aumento de 340% em bariátricas realizadas em adolescentes entre 2018 e 2024. Os dados de complicações nessa faixa etária são alarmantes.

A responsabilidade da informação

Zveiter utiliza sua plataforma para equilibrar a narrativa. Não condena a cirurgia. Não se arrepende. Mas exige transparência.

"Não é o caminho fácil", declarou. A frase resume décadas de consequências que continuam se desdobrando 25 anos após a operação.

O depoimento força uma pergunta incômoda: quantos adolescentes estão tomando decisões irreversíveis baseados em informações incompletas?

A indústria da bariátrica movimenta bilhões. Clínicas particulares oferecem financiamento facilitado. O SUS realiza milhares de procedimentos anualmente. Mas quem acompanha os pacientes 10, 20, 30 anos depois?

Zveiter promete revelar mais detalhes sobre o episódio que transformou sua percepção corporal. Enquanto isso, seu testemunho já cumpre função essencial: mostrar que toda transformação tem preço. E alguns preços são cobrados em dentes, sangue e silêncios não ditos.