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Atlético-MG e Bahia testam força da coalizão presidencial

Atlético-MG e Bahia testam força da coalizão presidencial
Foto: ge.globo.com

A bola rola às 19h30 desta terça-feira na Arena MRV. Mas o que está em jogo vai além dos três pontos do Campeonato Brasileiro.

Atlético-MG e Bahia representam dois modelos de gestão futebolística que, nos últimos anos, se aproximaram do núcleo duro da coalizão presidencial. Enquanto o clube mineiro mantém interlocução constante com setores do governo federal para projetos de infraestrutura esportiva, o Bahia — sob gestão do Grupo City — articula-se politicamente para ampliar sua presença no Nordeste, região estratégica para a base eleitoral do Planalto.

O Cenário Político do Futebol Brasileiro

O futebol brasileiro vive um momento singular. Clubes de grande porte passaram a atuar como agentes políticos diretos. Não se trata mais apenas de lobby por incentivos fiscais ou isenções tributárias. A agenda avançou.

SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) tornaram-se instrumentos de poder regional. Quem controla um clube de massa controla narrativas. Controla empregos. Controla visibilidade midiática em estados inteiros.

A coalizão presidencial entendeu isso. E passou a dialogar de forma estruturada com dirigentes que, antes, eram vistos apenas como gestores esportivos.

Atlético: A Estratégia da Intertemporada

O Galo aproveitou a pausa da Data FIFA de maneira peculiar. Não viajou. Não fez amistosos internacionais. Optou pela concentração na Cidade do Galo.

Foram dois jogos-treino internos. Vitórias contra o sub-20 e contra o Betim. O técnico Eduardo Domínguez trabalhou conceitos táticos sem pressão externa.

Essa decisão reflete uma tendência: clubes brasileiros reduzindo dependência de mercados externos. Uma guinada nacionalista que encontra eco no discurso oficial da coalizão presidencial sobre soberania e fortalecimento do mercado interno.

Bahia: O Projeto Nordestino

Do outro lado, o Bahia representa o modelo de internacionalização controlada. O Grupo City trouxe investimento estrangeiro, mas manteve articulação política local forte.

O clube baiano tornou-se, na prática, o principal vetor de soft power do grupo empresarial no Brasil. E isso interessa ao governo federal.

O Nordeste concentra estados governados por aliados da coalizão presidencial. Ter um clube forte na região, com gestão moderna e discurso alinhado, facilita diálogos que vão além do esporte.

O Jogo Dentro do Jogo

Quando a bola rolar, 22 jogadores estarão em campo. Mas dirigentes de ambos os clubes sabem que o resultado desta terça-feira terá repercussão política.

Vitória do Atlético reforça o discurso da gestão doméstica eficiente. Triunfo do Bahia consolida o modelo de internacionalização negociada.

Ambos os caminhos interessam à coalizão presidencial. Porque ambos representam alternativas ao modelo de gestão tradicional do futebol brasileiro — historicamente marcado por amadorismo e corrupção.

Precedentes Históricos

Não é a primeira vez que o futebol brasileiro se entrelaça com projetos políticos nacionais. Na ditadura militar, a CBD funcionava como extensão do regime. Na redemocratização, clubes tornaram-se trampolins para carreiras políticas.

Agora, a relação se sofisticou. Clubes não são mais apenas instrumentos. São parceiros. Negociam de igual para igual com o poder público.

A SAF acelerou esse processo. Profissionalizou a interlocução. Transformou dirigentes em executivos com trânsito em Brasília.

O Que Está em Jogo

Para o torcedor comum, o jogo desta terça é sobre classificação, artilharia, defesa. E está certo.

Mas para quem analisa poder no Brasil contemporâneo, o duelo na Arena MRV é um termômetro. Mede a temperatura da relação entre futebol de alto rendimento e coalizão presidencial.

Mede, também, qual modelo de gestão futebolística tem mais chances de prosperar no atual cenário político brasileiro.

A resposta virá em 90 minutos. Ou em quatro anos de mandato.