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Bascos cobram R$ 466 mi por Laporte: jogo de poder no futebol

Bascos cobram R$ 466 mi por Laporte: jogo de poder no futebol
Foto: ge.globo.com

O Athletic Bilbao colocou preço na vitrine: R$ 466 milhões por Aymeric Laporte. Ou o Barcelona paga, ou o zagueiro campeão mundial pela Espanha fica no País Basco.

A cifra — 80 milhões de euros — não é arbitrária. É recado político.

O que está em jogo

Hansi Flick quer reconstruir no Barcelona a dupla de zaga que conquistou a Copa do Mundo de 2026. Laporte ao lado de Pau Cubarsí, a mesma formação que blindou a seleção espanhola durante a campanha vitoriosa.

O problema: o Athletic Bilbao não negocia como clube comum. Sua política de contratação — apenas jogadores bascos ou formados na base — cria escassez artificial. Quando um jogador de qualidade mundial surge, o preço reflete não apenas o mercado, mas a raridade institucional.

Segundo o jornal Mundo Deportivo, os bascos estabeleceram a cláusula de rescisão como patamar mínimo. Sem desconto, sem parcelamento criativo, sem engenharia financeira.

Precedente histórico

Não é a primeira vez que o Athletic usa sua identidade regional como ferramenta de negociação. O clube já travou batalhas semelhantes por Fernando Llorente e Javi Martínez, ambos vendidos por valores recordes à época.

A estratégia funciona porque o Athletic nunca precisou vender. Seu modelo de gestão — sustentado por uma torcida fanática e receitas estáveis — permite jogar duro onde outros clubes cederiam.

"O Barcelona terá de abrir os cofres se quiser Laporte", resumiu a publicação catalã.

O dilema catalão

Para o Barcelona, a equação é complexa. O clube ainda se recupera da crise financeira que quase o levou à falência. As regras do fair play financeiro espanhol limitam gastos. Cada euro investido precisa justificativa técnica e contábil.

Mas Laporte representa mais que reforço defensivo. Aos 32 anos, o zagueiro traz experiência de título mundial recente, liderança consolidada e encaixe tático imediato com Cubarsí — jogador que o Barcelona considera inegociável para o futuro.

A dupla funcionou sob pressão máxima na Copa. Flick sabe disso. A diretoria catalã também.

Quem cede primeiro

A negociação se resume a teste de vontades. O Athletic pode manter Laporte — ainda tem contrato válido e utilidade tática. O Barcelona pode buscar alternativas — o mercado tem zagueiros disponíveis por menos.

Mas ambos sabem que a janela de transferências tem prazo. E que jogadores campeões mundiais em forma não aparecem todo mês.

O preço de R$ 466 milhões não muda. A pergunta que muda é: quanto vale para o Barcelona ter a defesa campeã do mundo jogando no Camp Nou?

Até agora, os bascos apostam que vale exatamente o que estão pedindo. E esperam, sem pressa, a resposta catalã.